In manus tuas

995233_10201360250582638_746713396_nQuem me conhece, sabe que, cada vez menos, costumo publicamente, na rede, expressar sentimentos pessoais ou estados de alma. Contudo hoje é diferente, pois o que hoje aconteceu transcende-me a mim e à minha pequenez.

Hoje perdi o Bispo que me ordenou. Aquele, que pela suas mãos, me concedeu o grandioso dom de ser padre. Dê as voltas que dê, sou padre, hoje, porque Deus o quis e firmou pelas mãos do D. António Francisco.

Por isso, hoje, quando estava com os jovens que iniciaram o seu tempo no Seminário de Aveiro que ele tanto amava e vejo a notícia de que o D. António tinha partido para a casa do Pai, a minha alma estremeceu, e senti um que algo de mim tinha partido também.

A D. António devo muito, no meu ser padre e ser homem. Sempre teve a paciência, de mesmo ainda como seminarista, de ouvir, escutar, aconselhar. Acompanhou-me num momento particularmente difícil da vida da minha família e sempre que se cruzava comigo, mesmo já enquanto Bispo do Porto, encontrava sempre jeito de, discretamente perguntar: e os teus…

Com ele, aprendi que nem sempre é fácil dizer sim. E dizer sim pode doer, e doer muito, mas que se esse sim for um sim ao plano de Deus, na e para a Sua Igreja, então essa dor torna-se configuração a Cristo na Cruz, que deu a vida pelas suas ovelhas. Esse sim e essa dor tornar-se-ão dom de vida nova da Ressurreição.

D. António amava a Igreja de Jesus, concretizada nas Dioceses que serviu de Aveiro e Porto. Amava do fundo do coração o povo que Deus lhe confiou, e deu-se, completamente. Muitas vezes senti que estava a perceber mal a forma como ele concretizava o seu lema episcopal in manus tuas. Ele depositou a sua vida nas mão do povo que Deus lhe deu para servir. A sua vida era pertença do povo de Aveiro, do Povo do Porto, já não era dele, era do seu rebanho. Especialmente dos mais frágeis, dos pobres e dos mais sós. Por isso sei que temos junto de Deus um intercessor por Aveiro e pelo Porto.

Muita coisa poderia dizer, mas temo que a (in)coerência das palavras tenha cada vez menos sentido. Sinto, neste momento, que o melhor é o silêncio, deixando que Deus ilumine e fale ao coração…

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