Sexo…Género?

 Lia ontem uma notícia1 no Jornal de Notícias acerca duma conferência na Fundação Calouste Gulbenkian sobre o cérebro, em que a conferencista fazia uma insinuação espantosa: o cérebro tem sexo. Este era aliás o título da notícia. Segundo a cientista, as suas observações parecem precisamente apontar para a diferença do cérebro entre homens e mulheres.

Fiquei a pensar se esta senhora estaria “boa da cabeça”. Afinal, hoje em dia isso de sexo já não existe. Muito menos a nível biológico. O sexo era/é uma imposição de uma sociedade governada por clérigos oprimidos para submeter a mulher (e outro tipo de atrocidades). Hoje, a ideologia corrente é que já não há sexo, mas género. E esse dito género é, segundo a Organização mundial de Saúde “o resultado de ideias construídas socialmente acerca do comportamento, acções e papeis que determinado sexo produz”2. Ou seja, uma construção social, sem nada a ver com a biologia ou outro tipo de factor natural. E agora vem esta senhora dizer-nos que afinal o cérebro tem sexo. Então será essa coisa de ser masculino ou feminino, de ser macho ou fêmea já não é só uma questão imposta pela sociedade, mas antes algo que está marcado no mais profundo de nós, a nível biológico, e que diferencia até a forma como o cérebro de macho e fêmea humanos funcionam?

Isto fez-me recordar um outro artigo3 que há tempos lia no Público que afirmava que cientistas americanos descobriram que o homem e a mulher vêem de maneira diferente.

Começo a pensar que se calhar há algo realmente de diferente entre homem e mulher. E que essa diferença não é meramente social ou cultural, mas é realmente uma diferença inclusivamente biológica.

Uma organização que estuda as diferenças entre os sexos afima:

“O sexo tem efeitos profundos na fisiologia e na susceptibilidade à doença. A função das células e dos órgãos depende do seu sexo, determinado pela acção recíproca entre o genoma, biologia e ambientes sociais.”4

Não é que o “raças” da ciência parece confirmar aquilo que aquela instituição que muitos chamam de retrógrada e o “diabo a sete” se calhar tem razão quando afirma:

“O homem e a mulher foram criados, quer dizer, foram queridos por Deus: em perfeita igualdade enquanto pessoas humanas, por um lado; mas, por outro, no seu respectivo ser de homem e de mulher. «Ser homem», «ser mulher» é uma realidade boa e querida por Deus: o homem e a mulher têm uma dignidade inamissível e que lhes vem imediatamente de Deus, seu Criador.  O homem e a mulher são, com uma mesma dignidade, «à imagem de Deus». No seu «ser homem» e no seu «ser mulher», reflectem a sabedoria e a bondade do Criador”.

 Catecismo da Igreja Católica, nº 369. 

Confesso que nunca percebi o medo que certas correntes de pensamento (chamemos-lhe assim) têm da diferença. Ser diferente não significa ser melhor ou pior. Apenas diferente. E reconhecer a diferença permite dar a cada um o que lhe compete, na sua diferença e valorizar o melhor que cada um tem. Mas isto sou a pensar…

2“The World Health Organization defines gender as the result of socially constructed ideas about the behavior, actions, and roles a particular sex performs” :http://en.wikipedia.org/wiki/Gender_identity

3http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/hormonas-ajudam-a-explicar-diferencas-na-visao-de-homens-e-mulheres-1561808

4 Sex has profound effects on physiology and the susceptibility to disease. The function of cells and organs depends on their sex, determined by the interplay among the genome and biological and social environments: http://www.bsd-journal.com/

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