Homilia na Instituição de Ministérios

Bispo de Aveiro instituiu três leitores e um acólito

1.Vivemos num tempo fortemente marcado pela tentação do individualismo mas igualmente sensível ao valor da vida comunitária. Todos conhecemos e sentimos vivamente a força da persuasão e da eficácia que se desprende do trabalho em comum, da vida em equipa e da liderança de grupo. Torna-se necessário, também o sabemos, que a acção comunitária seja fruto duma convicção comum e de uma confiança de todos, dadas à inspiração que faça nascer a comunidade e que anime o seu desenvolvimento. Radica na escuta dos outros, na partilha de ideias e sentimentos a realização de qualquer obra colectiva na qual cada um acredite firmemente. Assim era a Comunidade cristã primitiva dos tempos apostólicos, nascida da fé e do baptismo. Na comunidade cristã de Jerusalém, de que nos fala a primeira leitura, estão delineados e desenhados os traços de uma comunidade ideal: uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua mensagem, que se reúne para louvar o Senhor na oração e na eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha com gestos concretos a salvação que Jesus veio propor à humanidade e ao mundo. A comunidade dos cristãos vive e celebra a sua fé neste clima de alegria pascal. Esta referência à comunidade de Jerusalém não é apenas uma evocação histórica e um regresso às fontes da vida cristã em comunidade mas é simultaneamente uma proposta de vida e de testemunho missionário apresentada a todas as comunidades de hoje.

S. Pedro, na sua primeira Carta que vamos ler em trechos continuados ao longo de todos os domingos da Páscoa, deste ano, ajuda-nos a compreender este dinamismo da vida comunitária dos primeiros cristãos. Eles vivem de olhos postos no Mestre, Senhor de Misericórdia, e encontram na certeza da ressurreição as razões firmes onde aprendem diariamente a viver com esperança, apesar das dificuldades e dos sofrimentos. Os cristãos sabem-se discípulos de Cristo ressuscitado e desta convicção firme jorra a alegria profunda que impregna e inspira toda a sua vida.

Os apóstolos e os primeiros discípulos tocaram de perto os sinais da ressurreição, conviveram com Cristo ressuscitado e puderam exclamar como Tomé: «meu Senhor e meu Deus». Eles sentiram essa alegria e exprimiram essa felicidade. Mas «felizes são, também, aqueles que acreditam sem terem visto» ( Jo. 20, 29).
Os cristãos de hoje são convidados a caminhar conduzidos pelo Espírito na compreensão dos acontecimentos da vida de Cristo e são chamados a viver «esta bem-aventurança da fé … para a edificação da Igreja» (Bento XVI, hoje, em Roma).

Celebramos, por vontade expressa do Santo Padre João Paulo II, desde o Jubileu do Ano 2000, este segundo domingo da Páscoa, como Domingo da Divina Misericórdia. Sabemos que a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus e é o rosto pelo qual Deus se revelou em plenitude no Seu Filho, Jesus Cristo. É este amor de misericórdia que por seu lado ilumina o rosto da Igreja, inspira a sua missão, fortalece a sua acção e nos faz recordar as palavras de João Paulo II, ditas em Cracóvia, a sua diocese de origem, em 2002: > «Fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos».
João Paulo II foi hoje beatificado, em Roma. Também ele é feliz e bem-aventurado porque acreditou e se tornou para tantos homens e mulheres, jovens e crianças, povos e nações a verdadeira luz da fé. Quero, com esta celebração na nossa Sé Catedral, afirmar a comunhão e a alegria de toda a Igreja Diocesana de Aveiro com a Igreja universal e com o Santo Padre Bento XVI. Alegremo-nos com este reconhecimento público e oficial da Igreja pela santidade de João Paulo II.

A escolha deste dia tem também este sentido de nos lembrar que a vida, o ministério e a mensagem de João Paulo II se centraram neste serviço da verdade sobre Deus, rico de misericórdia e sobre o homem necessitado de redenção e peregrino da santidade. Convidando-nos desde o início do seu pontificado a abrir as portas a Cristo, João Paulo II atraiu multidões para contemplar o rosto de Cristo, vivo e ressuscitado, e percorreu caminhos anteriormente ainda não andados e deles fez avenidas de paz, de liberdade e de concórdia entre os homens.

Proponho-vos, irmãos e irmãs, este testemunho exemplar e heróico do Papa João Paulo II e convido-vos a encontrar nele a verdade, a autenticidade e a fidelidade da vida cristã. E vós, Candidatos a Leitores, procurai o gosto pela Palavra de Deus que sois chamados a acolher, a proclamar, a rezar, a contemplar, a viver e a testemunhar. E, tu candidato a Acólito, procura o sentido mais profundo do serviço do Altar que és chamado a realizar, configurando na integridade da tua vida a santidade de Deus a quem serves.

Iniciamos, hoje, o mês de Maio e celebramos o Dia da Mãe. No rosto terno das nossas Mães vemos o rosto materno de Maria, Mãe de Jesus, e encontramos a dedicação da Igreja, nossa Mãe. É com a simplicidade de crianças que nos voltamos para as nossas Mães e lhes dizemos: Obrigado Mãe.

É, também, com a certeza de que a Igreja é Mãe que queremos viver como filhos, irmanados na mesma fé e num só baptismo, firmando os nossos passos e afirmando a nossa fé, como Igreja orante, lugar de esperança para o mundo, como no propõem a nossa Caminhada pascal e o nosso Plano Diocesano de Pastoral. Com renovado espírito mariano que iniciamos este mês de Maio e como filhos nos confiamos à intercessão e protecção da Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe.

Quero lembrar, caríssimos seminaristas, nesta hora de alegria para a Igreja diocesana que vive este dia como um grande sinal de esperança no futuro, as vossas famílias, as vossas comunidades, os vossos Párocos e o nosso Seminário, com a sua Equipa Formadora e com todos quantos ao longo do vosso percurso de formação vos ajudaram e ajudam a contemplar o Rosto de Cristo que vos chamou e a consolidar a firmeza da decisão de O seguirdes. Que Santa Joana Princesa, nossa Padroeira, e S. José, cuja memória neste dia a Igreja recorda, a todos recompensem e nos incentivem a trabalhar com renovado ardor e entusiasmo para que surjam trabalhadores generosos para a Messe do Senhor.

+António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro

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